Próximo !

O Fluminense contratou o Dorival Junior, que estava no Vasco. Luxemburgo caiu.

De um quase-rebaixado para o outro, que fase, hein, Dorival ?!

O futebol ultimamente anda assim, o time perdeu três partidas, o técnico perdeu o emprego. O cara tem que resolver em um mês uma cagada de tempos e tempos. Além de técnico, tem que ser psicólogo, pai, mãe, professor, conselheiro e milagreiro ( é sempre bom lembrar que se reza ganhasse jogo, na Bahia todo jogo terminaria empatado – não deu pra fugir dessa ) .

Como nos relacionamentos, ninguém vive mais os maus momentos . Ficou ruim, rala ! Próximo da fila.

Não se prova mais das grandes crises, onde ninguém é bonito todo dia e exercita-se a tolerância, o diálogo e a paciência. E sobretudo a força e a inteligência , em nome do amor, de um ideal.

Destes momentos, de tensão ou de marasmo,  é que geralmente se tira o impulso de começar uma nova estratégia, de vencer um medo antigo e arriscar uma nova jogada. Um mergulho profundo no oceano de nossas incertezas, para que possamos realmente valorizar o indivíduo que topou fazer a loucura de dividir a vida dele com você. E extrair dessa relação o melhor possível para ambas as partes.

Mas o que geralmente fazemos é depositar nossas frustrações, nossas expectativas não correspondidas ( pelo menos não em tempo recorde ) na criatura que amamos.

E a gente rapidinho demite o coitado.

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Lá.

O porquinho

“- Muito prazer, sou porquinho, eu te alimento tão bem…” Era assim que começava a música de Vinícius e Toquinho que acabou sendo limada do roteiro do duo pelo violonista e diretor Marcello Gonçalves, aos 47 do segundo tempo.

Nem reclamei.  Confesso que, apesar de gostar da canção, estava pouco à vontade com os versos “meu couro bem tostadinho quem é que não sabe o sabor que tem ?”. – “É , melhor deixar isso pra lá “- concordei.

Em paralelo,  Edu me alertou essa semana que também escrevesse sobre algumas de minhas vitórias aqui no meu blog, e não ficasse só metendo o malho no sistema como um gordo reclamão pseudo idealista. Acho que entendi mais ou menos o que ele quis dizer. A parte do gordo reclamão é arranjo meu.

Creio que o público que me acompanha há quase 15 anos e que cresce mais e mais a cada dia, sabe das minhas conquistas, dos meus três discos gravados no peito e na raça, que vivo muito bem de música e me considero um cara bem sucedido. Acho que meu povinho querido sabe das indicações que recebi para diversos prêmios de música, das músicas em novelas, dos palcos, viagens e gravações que frequentei e dividi com gente grande, e de tudo que me faz perceber que fiz as escolhas certas até aqui. Ainda assim, tem sempre alguém pra profetizar que um dia ainda vou chegar “lá”, com os melhores dos sentimentos.

Fazendo 12, 15, ás vezes até 20 apresentações por mês, sempre ia pra casa me perguntando onde é que era esse “lá “que as pessoas desejavam que eu chegasse, e que eu sempre agradecia numa mistura de alegria e complacência. Com o tempo, fui percebendo que esse “lá” era o programa do Faustão, que hoje em dia é o termômetro do sucesso. Ou seja, você pode ter feito um monte de coisa bacana na sua vida artística, mas se não colocar os pés naquele programa, você ainda é um medíocre crooner de barzinho.

Ô loco, meu ! A assessora  que a  Biscoito Fino contratou me garante que nem o Faustão nem o Luciano Huck se interessam por mim. Meu empresário também diz que não. A Natura também disse não pro projeto em homenagem ao Luiz Carlos da Vila. “- Tem que botar uma cereja no bolo ! “, me afirmou a pessoa que escreveu o projeto. Pronto , vou parar de reclamar antes que o porquinho insatisfeito se manifeste novamente em espírito ( de porco, é claro ) .

Diante desse panorama , tenho duas opções : Ou comprar essa frustração que estão tentando me vender, como se o programa do Faustão fosse resolver todos os meus problemas ; ou explicar pacientemente aos diretores artísticos de plantão que me aparecem diariamente, que um plano de mídia realmente funcional e viral não se faz de um fato isolado. Que a pessoa tem que ligar a TV, me ver no Fausto Silva TV Show num Domingo, e no dia seguinte, me ouvir na trilha de uma novela. Depois, ligar o rádio e me ouvir na programação, e quando pegar o carro e sair, ver minha cara num outdoor. Pegar o jornal, e ver minha foto – TUDO AO MESMO TEMPO. E pra que isso aconteça , talvez eu tivesse que fazer outras escolhas, cantar outras coisas, focar mais no entretenimento e menos na poesia. Não dá pra me culpar de um problema que é do meu país.

Tenho que explicar ainda, que existe o porquinho da casa de palha, o da casa de madeira, e que eu sou o porquinho da casa de tijolos.  Que tudo que acontece comigo é consequência das escolhas que fiz, e que sou cantor e compositor, não celebridade. Que  minha parada é música, e que tudo que vier com ela é consequência, e não causa; e que ainda não inventaram fórmula para o sucesso. E que não é porque ainda não me conhecem que eu não existo.

Agora eu tenho que parar de escrever e ir cantar no Rio Scenarium, onde a assessoria da casa escreveu meu nome errado na porta mais uma vez. Talvez quando eu for ao Faustão isso passe.

Um abraço à todos !

 

 

Jojoia

Puta merda, os caras agora resolveram inventar uma novela de nome Joia Rara ! E eu me futriquei todo, sem nem me pedirem uma música pra trilha para amenizar a minha dor. Ainda chamaram um tal de Gilberto Gil aí pra fazer o tema de abertura.

Tudo bem que a ideia não era lá dessa originalidade toda, nunca me achei genial por isso. Porém, ao menos aqui,  no Rio de Janeiro, há algum tempo se vem associando esse nome às minhas atividades artísticas. Já estava eu me sentindo, não a última bolacha do pacote, mas o último guardião da divina expressão caetanesca. Uma anta – isso que fui ! –  um verdadeiro joio raro.

Quando finalmente resolvi registrar o nome, achei mais Joias Raras que propagandas do banco Santander : Loja de roupa, de perfume, padaria, cartório, funerária, uma música para cada estado do Brasil . Essa joia aí pode ser tudo, menos rara.

E separando o joio do Krieger ( rá ! ) , lá se foi mais uma ideia minha pelo ralo, como tantas outras. E eu que já tinha batizado a musica, a banda, os bailes, o violão, o carro , o ursinho de pelúcia da minha filha, que por pouco não se chamou Joia Rara, não fosse a sanidade da mãe.

Por mim tudo bem, a minha pretinha ainda é joia, minha banda ainda é joia, meu baile ainda é joia. Pode não ser raro, mas é joia. E meu blog agora é Jojoia, por ser duas vezes joia, por amor aos bêbados, aos tartamudos, pela fadiga letal do Jacaré e pelo apego à expressão.

E fica o riso sarcástico de quem vai assitir de camarote essa gente toda corrigir todo o material de marketing deles, porque, pela reforma ortográfica, caiu o acento. Ditongo aberto de palavra proparoxítona, chupa, acento ! Minha vingança sará maligna…..

E a mensagem subliminar de que , toda vez que se sentir muito genial, procure saber se alguém não teve essa mesma ideia um século antes de Cristo antes de sair por aí se exibindo.