O dia em que eu vi o Eike

Já me desculpando pelo tempo ausente, tentarei me redimir nas próximas semanas com novos textos que há muito quero publicar, fruto de tantas idéias saltitantes que andam fazendo cooper em meu cerebelo.

Recomeço com um relato curioso, que suscede o pré-lançamento do “Casual Solo”, no Bar Semente em 20/12 do ano passado.

Feliz com o resultado do show solo e com a liberdade de 24 horas sem a Rosa, nossa filha, que tinha ficado com a avó, eu e Paula fomos comemorar nossa efêmera alforria num motel em São Conrado. Isso mesmo, num motel. Dizem que ir ao motel com sua esposa tem tanta graça quanto dançar com sua irmã numa festa de casamento ( desculpe, amor, foi só pra não perder a piada ! ) , mas até que naquela noite bebemos e nos divertimos bastante.

Tomamos um café na Barrinha, pesquei duas garrafas de batida do Oswaldo pra levar pro meu sogro e já fui pegando o caminho do Itanhangá, pra desembocar no Alto da Boa Vista e rumarmos , na sequência, para Santa Teresa. Minha rota predileta, arborizada, desprovida de trânsito, e o melhor, com muito mais frescor do que aqui em baixo, no “Hell “de Janeiro. Sexualmente satisfeitos, com o sorriso nos lábios e a pele macia como pêssegos, nos deparamos com a cancela fechada das Paineiras.

Protegidos visualmente pelo Insulfilm da Peugeot, percebemos que dois homens se alongavam junto à cancela, como que descansando de uma corrida ou caminhada. Era um Sábado de tempo bom, umas duas da tarde, e não havia mais ninguém ali além de mim e de minha esposa, dentro do carro, e os dois cidadãos, nos vértices da cancela.

Percebi que uma das figuras me era familiar, e demorei certo tempo pra constatar que tratava-se do mega empresário Eike Batista. Pedi pra que Paula confirmasse o que estava diante dos meus olhos, pois se não era ele, tratava-se de seu irmão gêmeo. A ausência de seguranças me chamou a atenção, e também não havia nenhum carro de luxo à minha volta.

O espanto com que ele ( sempre ele, o Eike ) nos mirou, fixamente olhando para o carro, que de fora não dá pra ver quem está dentro, confirmou a informação. Era bem branco; meio velho, mas em forma, e aquele cabelo pintado de uma forma estratégica, como quem quer dizer que está ficando de cabelos brancos, mas ainda não em sua totalidade. Acho que li em algum lugar que ele implantou uma parca cabeleira.

O fato foi que fiquei meio bobão. Como militante do meio artístico, me acostumei a ver celebridades de perto, mas confesso que encontrar o Eike ali, perto das Paineiras e de minha casa, só ele e um amigo, foi, no mínimo, inusitado. Depois de um minuto olhando de dentro ( e ele de fora ) pra confirmar a informação, saí do carro e travamos um pequeno diálogo :

“- Se eu subir aqui, no Sumaré, chego em Santa ?

– Não,creio que não. Acho que você tem que voltar pra Tijuca e subir pelo Rio Comprido ( o cara manjava da geografia ! ) .

– Putz ! Moro em Santa Teresa, mas esqueci que hoje é Sábado e eles fecham a cancela.

-Você mora em Santa ? ( Ele era descoladinho !  )

– Sim, moro.

-Pô, então você devia saber disso, né ? ”

Ainda tive que engolir essa . Paula, no banco do carona, ria da minha cara. Depois ele completou que não estava conseguindo ver quem estava no carro, confirmando sua identidade e a qualidade do meu Insulfilm. Agradeci a informação e fiz a volta.

Até aí, tudo bem, nada demais. Porém, retornando e rindo da inusitada situação, pensei em um monte de coisas que gostaria de ter falado, como por exemplo, do samba que fiz para um bloco que cobrava sua promessa de despoluição da Lagoa; do que ele poderia fazer pela classe artística emergente, ou até mesmo dar-lhe um esporro pelas merdas que o Thor anda fazendo, sei lá.

Enfim, era só eu e ele, ali , no tête- à- tête. Queria ter feito, mas não fiz, e me arrependi do não-feito, que é o pior arrependimento que existe. Não sei o que eu iria conseguir com isso, talvez nada, mas é aquela história, o “não”eu já tinha. E o “sim”também não rolou, porque fiquei bobo de ver o Eike em Santa.

Alguém aí tem o número do celular dele ? Imagem

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5 thoughts on “O dia em que eu vi o Eike

  1. Sou corretor de imóveis, e no auge do Eike, encosta no prédio uma comitiva… todo mundo parou para olhar…. e o figura desce, neste caso rodeado de seguranças, tentei dar um cartão pra ele, falar dos empreendimentos Minha Casa Minha Vida…Não consegui, mas hoje acho que deve fazer falta… pra ele!! rsrsrsrs abs e parabéns pelos textos. Quando estiver em SP da um alo.

  2. Coé “Cumapdre”, o Eike bancando o local, logo pra você!? Pois bem, manter a chama do relacionamento acesa é tão importante quanto acende-la, essa história de que não tem graça isso ou aquilo vem da galera do “quem tem boca fala o que quer!”. Um belo esporro nele cairia bem, pois os motivos que temos indicam que, o que nos chega de informação sobre o “Dotô” Eike é só a ponta do Iceberg. Quanto ao Thor acho que se embalou pelo nome. Deve estar pensando que é Super-Herói ou Deus de alguma porra, o “Dotô” podia lhe dar umas boas tapas na bunda!

    Ótimo texto, Axé “Cumpadre”!!!

  3. Soube hoje que a Paineiras está fechada para carros! E não é só sábado e domingo não, a semana toda…direto! Temos que apurar esse fato, como locais não podemos dar mole!

    Salve Vinícius de Moraes!

    }:-)

  4. Monocelho, hoje subi pelo Sumaré. Tava meio caótico por causa da chuva, mas deu pra chegar na Barra. Aprendi , graças a tu.
    Obrigado pela visita !

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